Período Republicano no Brasil (1889 – atualidade)
1. República Velha (1889 – 1930)
Características gerais:
Início com a Proclamação da República (15 de novembro de 1889) pelo marechal Deodoro da Fonseca, pondo fim à monarquia.
Predomínio das oligarquias agrárias, principalmente de São Paulo (café) e Minas Gerais (leite), que se revezavam no poder – Política do Café com Leite.
Eleições marcadas por fraudes e voto de cabresto (controle do voto pelos coronéis).
Fases principais:
República da Espada (1889–1894): governos dos militares Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
República Oligárquica (1894–1930): presidentes civis, grande influência dos coronéis e do coronelismo.
Economia:
Baseada na exportação do café.
Dependência dos capitais estrangeiros, principalmente ingleses.
Conflitos sociais:
Revolta da Armada (1890s), Guerra de Canudos (1896–1897), Revolta da Vacina (1904), entre outros.
2. Era Vargas (1930 – 1945)
Contexto:
Início com a Revolução de 1930, que impediu a posse de Júlio Prestes e colocou Getúlio Vargas no poder, rompendo com a política oligárquica.
Fases:
Governo Provisório (1930–1934): Vargas centralizou o poder, nomeou interventores e dissolveu o Congresso.
Governo Constitucional (1934–1937): nova Constituição é promulgada, e Vargas é eleito indiretamente.
Estado Novo (1937–1945): Vargas dá um golpe e instaura uma ditadura com censura, repressão e culto à sua imagem.
Principais realizações:
Criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) em 1943.
Incentivo à industrialização e fortalecimento do papel do Estado na economia (criação de empresas estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional).
Controle dos sindicatos e propaganda oficial.
Fim do período:
Pressão popular e militar após a Segunda Guerra Mundial força a renúncia de Vargas em 1945.
3. República Populista (ou Nova República Liberal) (1946 – 1964)
Características:
Redemocratização do país com a Constituição de 1946.
Liberdades democráticas foram restabelecidas, mas havia instabilidade política e econômica.
Presidentes importantes:
Eurico Gaspar Dutra (1946–1951): alinhamento com os EUA e combate ao comunismo.
Getúlio Vargas (1951–1954): eleito pelo voto direto, suicidou-se durante crise política.
Juscelino Kubitschek (1956–1961): promoveu o desenvolvimento com o lema “50 anos em 5”; fundou Brasília.
Jânio Quadros (1961): renunciou após poucos meses.
João Goulart (1961–1964): tentou reformas de base, como reforma agrária, mas sofreu forte oposição.
Fim do período:
Com o medo do avanço do comunismo e instabilidade política, os militares deram um golpe em 1964, instaurando uma ditadura.
4. Ditadura Militar (1964 – 1985)
Características gerais:
Golpe militar depõe João Goulart e implanta um regime autoritário, sem eleições diretas para presidente e com forte repressão.
Medidas autoritárias:
AI-5 (1968): suspendeu garantias constitucionais, permitiu censura, prisões sem processo e repressão política.
Censura à imprensa, perseguição a opositores, torturas e desaparecimentos.
Fim do pluripartidarismo: criação do bipartidarismo (ARENA x MDB).
Presidentes militares:
Castelo Branco, Costa e Silva, Médici (período mais repressivo), Geisel (início da abertura), Figueiredo (transição para democracia).
Milagre econômico (1968–1973):
Crescimento econômico elevado, mas com aumento da desigualdade e da dívida externa.
Redemocratização:
Com pressão popular (como o movimento Diretas Já), o regime começou a enfraquecer.
Em 1985, Tancredo Neves foi eleito indiretamente, mas faleceu antes de tomar posse. José Sarney, seu vice, assumiu a presidência.
5. Nova República (1985 – atualidade)
Características gerais:
Retorno da democracia e promulgação da Constituição de 1988, que estabeleceu o Estado Democrático de Direito.
Avanços:
Liberdade de expressão, eleições diretas, garantias de direitos sociais e civis.
Criação do Plano Real (1994) para combater a hiperinflação.
Desafios:
Crises econômicas, escândalos de corrupção (como o Mensalão e a Lava Jato), e polarização política.
Presidentes importantes:
Fernando Collor (1990–1992): sofreu impeachment.
Itamar Franco (1992–1995): estabilidade econômica.
Fernando Henrique Cardoso (1995–2002): estabilização e reformas.
Lula (2003–2010): crescimento econômico e programas sociais.
Dilma Rousseff (2011–2016): sofreu impeachment.
Michel Temer, Jair Bolsonaro, e Lula (reeleito em 2022).
